A instabilidade econômica brasileira e os problemas cambiais argentinos são os dois principais obstáculos para a completa integração dos países-membros do MERCOSUL. A preocupação é de que os países do MERCOSUL não consigam ter força política e econômica para fazer frente ao novo cenário mundial: a formação de blocos econômicos, como o da CEE e o NAFTA, e da Rodada Uruguai do GATT. Ontem, durante o 1o. Fórum de Agricultura, promovido pela Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), no Rio de Janeiro, empresários, autoridades, políticos e especialistas, discutiram quais as melhores alternativas para que o Brasil consiga participar do MERCOSUL sem perder a sua potencialidade de principal país no acordo. Ao mesmo tempo em que afirmam que o MERCOSUL beneficia o comércio exterior para o Brasil, consideram o prazo muito curto para a harmonização das economias dos quatro países. Segundo o ex-ministro Marcílio Marques Moreira, os problemas conjunturais brasileiros e argentinos devem ser resolvidos para que o MERCOSUL tenha capacidade de negociar com os outros blocos econômicos. Marcílio também lembrou que o Brasil não pode ficar restrito ao acordo com os países do Cone Sul por ter uma vocação universalista no comércio exterior. De acordo com ele, o país exporta cerca de 30% de seus produtos para a Europa e outros 40% para os EUA e Ásia. O professor da USP e gerente da Câmara Setorial do MERCOSUL, Márcio Jank, disse que o acordo está ameaçado de se concretizar caso os quatro países do Cone Sul não estabilizem as suas economias. Os problemas principais são o câmbio e as tarifas. "O acordo do MERCOSUL está ameaçado. Se já está difícil um acordo do Brasil para o MERCOSUL, ele está mais longe ainda do NAFTA", afirma Jank (O Globo).