O ar festivo dos políticos no lançamento da Frente Parlamentarista Ulysses Guimarães, no último dia 20, em Brasília (DF), disfarçou o pessimismo que ronda a campanha. A preocupação com o resultado do plebiscito sobre sistema de governo é tanta que o governador de Pernambuco, Joaquim Francisco, não compareceu à solenidade e surpreendeu, depois, com uma proposta de adiamento da consulta popular. "Começo a julgar oportuno adiar o plebiscito de abril, porque não vejo ninguém com ânimo para tocar esta campanha em todo Brasil e em tão pouco tempo", avaliou. A antecipação é que foi um erro, avalia o deputado Jayme Santana (PSDB- MA). "Esta antecipação está cada vez mais se mostrando um corpo estranho à conjuntura", emenda o deputado Paulo Delgado (PT-MG). A confirmação do presidencialismo na consulta popular pode significar problemas para o governo Itamar Franco. Na avaliação de um ministro de Estado que não quis se identificar, a parceria amistosa entre Executivo e Legislativo seria condenada à morte, pois surgiriam imediatamente os candidatos a presidente da República, arrebatando o apoio dos partidos que hoje sustentam politicamente o governo. Cerca de 100 pessoas, na maioria políticos e sindicalistas, participaram ontem do ato público pelo parlamentarismo republicano, na Assembléia Legislativa do Paraná, em Curitiba. O fracasso de público não era esperado mas não chegou a surpreender, já que as principais liderança do estado, o governador Roberto Requião, o ex-governador Álvaro Dias e o ex- prefeito de Curitiba Jaime Lerner são presidencialistas (JB) (O Globo).