A ex-prefeita de São Paulo, Luiza Erundina, aceitou ontem o convite do presidente Itamar Franco para ocupar a Secretaria da Administração Federal, cargo que lhe confere status de ministra. O presidente indicou ainda a economista Yeda Crusius para o Ministério do Planejamento. Professora da UFRGS, ela era a candidada do líder do governo no Senado, Pedro Simon (PMDB-RS). Yeda, filiada ao PSDB, avisou: "Não esperem novas Zélias. Esperem a nova Yeda". A nova ministra, desconhecida no eixo Rio- São Paulo, é considerada pela equipe do ministro da Fazenda, Paulo Haddad, como uma especialista em planejamento econômico de médio e longo prazos, apesar de sua experiência restrita à área acadêmica. A entrada de Erundina no ministério abriu a maior crise da história do PT. O presidente do partido, Luís Inácio Lula da Silva, condenou a decisão. "Ela vai em caráter pessoal. Sou contra". O secretário-geral do PT, deputado José Dirceu (SP), admitiu que a situação da ex-prefeita no partido é insustentável". Ela poderá ser expulsa do PT. A ex-prefeita se defendeu dizendo que "o avanço maior ou menor do governo depende da contribuição de cada força política". "Aceitei porque venho defendendo há algum tempo a participação do partido no governo", afirmou. Ela disse que não pretende deixar o partido, mas que ficará na equipe de Itamar mesmo que o PT decida contra. Com essas escolhas, o governo consolidou o perfil de centro-esquerda que começou a ser desenhado com a votação do ajuste fiscal, quando apenas o PDS malufista e a ala do PFL liderada por Antônio Carlos Magalhães votaram contra a reforma (O ESP) (FSP) (JB) (O Globo).