JÚRI DO CASO FONTELLES VAI SE REUNIR AMANHÃ

O tribunal do júri do Município de Ananindeua, região metropolitana de Belém (PA), se reúne amanhã sob a presidência da juíza Maria Soares Palheta para julgar o ex-capitão do Exército James Vita Lopes, apontado como agenciador do assassinato do ex-deputado estadual e advogado de posseiros Paulo Fontelles. Principal liderança do PC do B no Pará, Fontelles foi morto com três tiros na cabeça a 11 de junho de 1985. James Vita Lopes trabalhava como chefe de segurança de grandes empresas paraenses, inclusive para o madeireiro e armador Joaquim Fonseca, apontado pela família de Fontelles como mandante do crime. O julgamento do ex-capitão do Exército é uma raridade no Brasil. De janeiro de 1964 a 31 de janeiro de 1992, levantamentos feitos pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) mostram que foram assassinados 1.684 trabalhadores rurais, índios, advogados e religiosos em conflitos pela posse da terra, mas somente 29 casos foram a julgamento. Nos últimos 28 anos, nos julgamentos realizados em crimes cometidos no campo, houve apenas 17 condenações: 10 casos de morte de camponeses, três de advogados, dois de índios e dois de sacerdotes. Nos outros 12 julgamentos houve absolvição total (JB).