O presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Construção Naval (Sinaval), Nobuo Oguri, apresentou ontem aos ministros dos Transportes, Alberto Goldman, da Indústria, Comércio e Turismo, José Andrade Vieira, e do Trabalho, Walter Barelli, no Rio de Janeiro, os problemas do setor e um plano de retomada de crescimento da economia brasileira e da construção naval. Concentrada no Rio de Janeiro, a indústria vive hoje uma ociosidade de 60%, com queda de 76% no nível de emprego (passou de 50 mil para 12 mil). Os investimentos feitos pelo setor ultrapassam US$1,5 bilhão e sua capacidade de produção instalada é de dois milhões de toneladas. Apesar de todo esse potencial, do total de fretes gerados pelo comércio exterior brasileiro (cerca de US$5 bilhões), apenas 14% são realizados pela frota nacional. Os afretamentos de navios estrangeiros são responsáveis hoje por uma evasão de US$700 milhões anuais. Para reverter o quadro instalado, o Sinaval chama atenção para as potencialidades do mercado internacional, que deverá contratar, até o início da próxima década, 350 milhões de toneladas de porte bruto (TPB). "O Brasil quer, e pode, construir parte desses navios", afirmou Nobuo Oguri. Para alcançar o nível de produção e gerar novos empregos, a indústria naval definiu os problemas que impedem a retomada do crescimento: carga tributária, escassez de recursos para financiar a produção e comercialização, além da falta de mecanismos ou sistemas que possam alavancar recursos adicionais. O governo quer coordenar as discussões, que devem ser feitas por
71936 empresários e trabalhadores, que são as pessoas indicadas para encontrar
71936 as soluções dos seus problemas, disse o ministro Andrade Vieira. ""O governo quer ser o coordenador de soluções e a reativação da indústria no Rio não é só uma necessidade do estado, mas do país", acrescentou o ministro dos Transportes. Andrade Vieira questionou a validade do Fundo de Marinha Mercante (FMM), sugerindo como alternativa a utilização de US$80 milhões-- dos US$350 milhões que o FMM terá disponíveis em 1993-- para equalização dos juros de empréstimos tomados por estaleiros nacionais no exterior. Para que seja possível essa equalização, existe necessidade de modificar a legislação, destinando um percentual do FMM para financiamento das taxas, explicou o ministro, solução que ele considera simples e barata (JB).