SENADO DESCOBRE NOVA FRAUDE NO ORÇAMENTO

Longe de ter sido o projeto desejado pelos deputados e senadores, o Orçamento Geral da União executado em 1992 também não foi aquele alterado pelo então relator-geral da lei orçamentária, deputado Ricardo Fiúza (PFL-PE), depois de votado no Congresso. Documentos obtidos por este jornal revelam que o projeto entregue por Fiúza ao Executivo foi alterado ainda mais uma vez antes de ser publicado no "Diário Oficial" da União. O formato final da lei orçamentária foi criado no Departamento de Orçamento da União, dirigido à época por José Carlos dos Santos, que hoje é suspeito do desaparecimento de sua própria mulher, Elisabeth. Modificação curiosa envolveu por exemplo o Ministério da Saúde e a Fundação Nacional de Saúde (FNS). Dotações que haviam sido feitas para o Ministério passaram inteiras, com o mesmo valor, para a FNS. Assim, por exemplo, os Cr$5,5 bilhões destinados ao Hospital Universitário de Teresina (PI), que estavam sob a responsabilidade do Ministério da Saúde, transferiram-se, graças a José Carlos, para a Fundação. Uma das razões para isso pode ser o fato de que o controle dos recursos num Ministério-- órgão da administração direta-- é muito mais rigoroso do que em fundações. Estudo realizado pelo PRODASEN (Centro de Processamento de Dados do Senado Federal) revela que José Carlos dos Santos promoveu 600 alterações no Orçamento, beneficiando alguns setores, como a CODEVASF (Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco), e prejudicando outros, como a indústria de armamentos do Exército (IMBEL) (O Globo).