BILL CLINTON E O BRASIL

Em sua primeira manifestação sobre o Brasil, o presidente eleito dos EUA, Bill Clinton, disse ao embaixador Rubens Ricúpero, que deseja "tudo de melhor para o Brasil" e se confessou impressionado pela forma pacífica como ocorreu o afastamento do ex-presidente Fernando Collor e sua substituição por Itamar Franco. Clinton fez os comentários ao cumprimentar o embaixador brasileiro durante recepção ontem para 180 embaixadores estrangeiros. As declarações de Clinton aconteceram no mesmo dia em que ele revelou quem será o responsável pelos assuntos latino-americanos em sua administração. O escolhido para substituir Bernard Aronson como secretário-assistente do Departamento de Estado para a América Latina foi o cubano naturalizado norte-americano Mario Baeza, encarregado de questões latino-americanas num escritório de advocacia de Nova Iorque. Clinton também indicou Hatie Babbitt, mulher do futuro secretário do Interior, para o posto de embaixadora dos EUA junto à OEA (Organização dos Estados Americanos), em substituição ao embaixador Luigi Einaudi. Em São Paulo, o presidente da AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil), Marcus Vinícius Pratini de Moraes, disse esperar que o novo presidente dos EUA não siga a tendência democrata de criar embaraços às exportações brasileiras e reabra as negociações para a pauta de reivindicações não atendida pelo governo Bush. Para o Brasil, disse, seria importante que fosse revista a taxação sobre as exportações de suco de laranja, um dos maiores itens da receita alfandegária norte-americana; criadas facilidades para a venda de álcool e maior acesso para produtos do setor siderúrgico. "E que não se mexa nas regras estabelecidas para as exportações aos EUA de calçados brasileiros", concluiu (JB).