O governo federal procura definir uma estratégia de vigilância para ter maior controle sobre a formação dos preços praticados no setor industrial de modo geral e, principalmente, nos oligopólios. O objetivo é reavivar algum esquema parecido com o antigo Conselho Interministerial de Preços (CIP) que permite à área econômica acompanhar a evolução dos custos e dos lucros dos setores industriais, cuja memória acabou se perdendo nos últimos dois anos. Não deve haver, no entanto, decisão imediata. Junto com a identificação da necessidade do acompanhamento de preços, o governo teme que qualquer medida nessa área, hoje, seja interpretada erroneamente e acabe causando uma prevenção generalizada, provocando aumentos em toda a economia. O governo já está, no entanto, vigiando dois segmentos oligopolizados: o setor da indústria farmacêutica e o da indústria de alimentação. Na semana passada, quatro produtos de setores oligopolizados subiram mais no varejo do que a média que foi de 6,70%: automóveis (10,40%), medicamentos (9,64%), produtos de limpeza doméstica (8,01%) e alimentos (8,60%). O presidente da ABRINQ (Associação Brasileira da Indústria de Brinquedos), Emerson Kapaz, não acredita que o governo tente qualquer medida de controle dos preços sobre a indústria. Isso já mostrou que não dá resultado", disse. "Será um fracasso se for tentado novamente". Há grande preocupação das indústrias com a possibilidade de voltar o
71904 controle de preços, afirmou o presidente do Sindicato da Indústria de Produtos Químicos e Petroquímicos do Estado de São Paulo, Décio de Paula Leite Novaes. Ele apontou a portaria 552, da SUNAB, como um retrocesso na área econômica, já que "estabelece a obrigação de as indústrias endereçarem planilhas de custos aos órgãos governamentais" (GM).