Se os dois Centros de Testagem Anônima (CTA) do Rio de Janeiro se limitassem a dar o resultado de apenas um teste anti-AIDS, cerca de 100 pessoas teriam passado por uma experiência cruel: seriam identificados como soropositivas quando, na verdade, não eram portadoras de anticorpos contra o vírus da AIDS. A realização de testes complementares, adotada como norma pelo Laboratório Central de Saúde Pública Noel Nutels, evitou um sofrimento desnecessário para os que tiveram o chamado resultado "falso positivo"-- detectado em 5% das duas mil amostras registradas pelo laboratório por terem sido apontadas como positivas nos testes de triagem. O exemplo dos CTAs, seguido também pelos hemocentros públicos, é a exceção que confirma a regra. Segundo o diretor do Noel Nutels, Oscar Berro, a realização de testes complementares antes da confirmação do diagnóstico ainda não foi adotada como norma por todos os laboratórios. O paciente não deve ser informado e que é soropositivo sem que se façam
71872 mais dois exames complementares, alerta. Além disso, denuncia ele, há laboratórios que infringem as normas técnicas ou mesmo adotam práticas criminosas-- como usar testes com data de validade vencida ou fazer exames em "pool", misturando amostras de sangue de várias pessoas num mesmo ensaio (O Globo).