ABORTOS ILEGAIS CHEGAM A SEIS MILHÕES POR ANO

O aborto no Brasil só é legal em casos de risco de vida da mãe, estupro ou incesto. Assim mesmo, as estimativas dão conta de que anualmente seis milhões de abortos ilegais são praticados no país. Segundo pesquisa do IBGE, o número de interrupções da gravidez é maior entre mulheres do Sudeste (16,4%) do que entre as do Nordeste (14,4%). Essas duas regiões respondiam por 75% das mulheres grávidas em todo o país em 1989, quando foi realizada a Pesquisa Nacional de Saúde e Nutrição (PNSN) do IBGE. De acordo com o estudo, 20,4% das mulheres nordestinas afirmaram ter mais de três gestações durante o período de fertilidade, percentual que caiu para 9,1% entre as mulheres da Região Sudeste. De acordo com a pesquisa, 36,1% das mulheres pesquisadas de 10 a 54 anos de idade viviam em famílias abaixo da linha de pobreza (meio salário-mínimo mensal per capita) e apenas 19,5% pertenciam a famílias com rendimento mensal per capita de mais de dois salários-mínimos. Ainda de acordo com a pesquisa, no ano de 1989, 13.862.844 mulheres declararam ter ficado grávidas nos cinco anos anteriores. Dessas mulheres, 14,9% tiveram pelo menos uma gravidez interrompida. Do universo total de mulheres pesquisadas, a maioria (59,1%) engravidou uma única vez; 28,2% duas; 9,1% três; 2,7% quatro e 0,8% cinco ou mais vezes. As taxas mais elevadas de interrupções da gravidez foram verificadas entre as mulheres que apresentavam quatro gestações (47,1%) ou cinco (77,1%) (O ESP).