CUT QUER CRIAR SINDICATO DOS METALÚRGICOS EM SP

A CUT não deve disputar com a Força Sindical a direção do maior sindicato da América Latina, o dos metalúrgicos de São Paulo. A opção, agora, é criar um sindicato próprio na capital paulista. A proposta, que muda radicalmente a estratégia da central, não é posição fechada na CUT, mas o presidente estadual da entidade, José Lopez Feijó, já saiu em defesa da idéia: "Liberdade sindical não significa constituir uma chapa de oposição, mas fazer um novo sindicato". Desse modo, segundo ele, o trabalhador escolhe na prática qual sindicato corresponde melhor aos seus interesses. "É um salto de qualidade", diz. A nova disposição antecipa o que deve vir com a reforma constitucional. Nas duas centrais, a maioria dos dirigentes já defende a pluralidade sindical-- contra a unicidade prevista hoje na legislação. Com o fim da unicidade, fica liberada a formação de dois ou mais sindicatos numa mesma base. A CUT e a Força Sindical, cada uma com interesses próprios, vão juntas ao Congresso Nacional defender o fim da unicidade e do imposto sindical. Devem estar unidas ainda para preservar a contribuição assistencial-- que, diferente do imposto, é fixada em assembléia, e portanto ganha característica de mecanismo democrático. Mas, por enquanto, assuntos como definição de setores estratégicos e não privatizáveis, entrada de capital estrangeiro e sistema de governo estão longe de ter consenso (O ESP).