ABECIP APRESENTA PROPOSTA PARA POLÍTICA HABITACIONAL

A ABECIP (Associação Brasileira das Empresas de Crédito Imobiliário e Poupança) enviou proposta ao governo na qual desvincula totalmente o dinheiro captado pelas cadernetas dos financiamentos habitacionais para quem ganha até 10 salários-mínimos (Cr$12,5 milhões). Apresentado ao Banco Central e ao Ministério do Bem-Estar Social, o documento da entidade sugere que o Tesouro Nacional financie a construção de casas para quem ganha até três salários-mínimos (cerca de 35 milhões de brasileiros de um total de 55 milhões de trabalhadores que têm carteira assinada) e que os recursos do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) banquem as obras para quem recebe até 10 salários-mínimos. Pela proposta, o dinheiro depositado nas cadernetas de poupança seria utilizado para o financiamento de casa própria para quem ganha mais de 10 salários- mínimos. Em 1992, o SFH (Sistema Financeiro da Habitação) financiou a construção de 62 mil casas (30 mil unidades em 1991). Apesar da recuperação, o volume de financiamento imobiliário ainda está muito distante da demanda nacional pela casa própria, ou seja, 400 mil habitações por ano. Os desembolsos do FGTS definidos no orçamento deste ano serão suficientes para cobrir apenas 21,5% das necessidades de financiamento dos contratos já firmados para obras de saneamento, infra-estrutura e construção de casas populares. A estimativa é da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil). Segundo a entidade, apenas Cr$5,6 trilhões serão liberados, enquanto os contratos previam originalmente o desembolso de Cr$26,2 trilhões (JB).