Unânimes na defesa de melhores condições de vida, os representantes das entidades da sociedade civil repudiaram ontem, durante encontro com líderes do Congresso Nacional, em Brasília (DF), a idéia de institucionalizar a pena de morte. Todos consideraram o momento inadequado para a discussão, destacando que a atenção da sociedade deve estar voltada para o pacto de governabilidade proposto pelo governo. Mas asseguraram que eventual plebiscito sobre o assunto não comprometeria a colaboração com os demais assuntos nacionais. Não vamos misturar as coisas, disse o presidente da CNBB, dom Luciano Mendes de Almeida. O pacto, segundo ele, é colaboração inteligente e criteriosa e não um bloco. Como os demais participantes, o presidente da CNBB disse que o grupo se dispõe a apoiar iniciativas, mas com autonomia para contestar e criticar medidas consideradas equivocadas. Para o presidente da OAB, Marcelo Lavene`re, não há motivo para o país, que tem tanto a discutir, falar em pena de morte. "Achamos que é uma leviandade ser levantada esta questão num momento como este", criticou o presidente da UNE, Lindberg Faria. Ele considera inconstitucional a realização do plebiscito, por agredir os direitos individuais. Também o secretário-executivo do IBASE, Herbert de Souza, defendeu a Constituição: A Constituição já definiu e não é assunto de plebiscito. Inclusive há
71788 um compromisso internacional contra a pena de morte. O presidente da ABI, Barbosa Lima Sobrinho, acha que o debate distrai a atenção da população. Essa discussão é estéril e inoportuna. Não se pode admitir o Estado
71788 como meio de vingança, concluiu o líder do governo na Câmara, Roberto Freire (PPS-PE). O presidente da Câmara, Ibsen Pinheiro (PMDB-RS), defendeu a "democracia representativa". Segundo ele, a democracia direta pode levar ao fascismo. O sociólogo Herbert de Souza disse que "a massa apoiou Hitler, e isso não significa que ele tivesse razão". Herbert de Souza ressaltou que democracia não se mede quantitativamente, mas qualitativamente. Para ele, a democracia quantitativa é "uma idéia collorida" e a pena de morte é detestável. Herbert de Souza não acha que o presidente Itamar Franco tenha errado: "Não sou contra o debate. Sou contra entrar na onda. Não é a primeira vez que ocorrem assassinatos como o da atriz no Rio e da menina em Minas" (O Globo) (JB) (FSP).