O ministro da Agricultura, Lázaro Barbosa, admitiu ontem, em encontro com o presidente da CNBB, dom Luciano Mendes de Almeida, que o governo está de mãos atadas para realizar desapropriações de terras para fins de reforma agrária enquanto o Congresso não regulamentar os artigos da Constituição que tratam da função social da terra e da propriedade produtiva. Barbosa informou que o governo dispõe de Cr$3,5 trilhões de recursos do crédito rural para pequenos e microagricultores no orçamento deste ano. Dom Luciano defendeu maior agilidade na criação de um plano nacional de reforma agrária, argumentando com dados do Censo de 90 que apontam: dos 150 milhões de brasileiros, aproximadamente 120 milhões moram em grandes cidades. Para ele, é fundamental que o governo dê condições para que os agricultores permaneçam no campo. Segundo ele, a falta de educação e saúde no campo é a causa do êxodo para a periferia das grandes cidades. O presidente da CNBB defendeu ainda a ampliação de 60 para 600 no número de escolas-família agrícola no interior do país, com o objetivo de fixar o trabalhador rural no campo. O ministro reconheceu que há 20 mil famílias acampadas às margens de rodovias "vivendo em condições degradantes" e 720 assentamentos que precisam de assistência para se firmarem (JB) (FSP).