O presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), dom Luciano Mendes de Almeida, condenou ontem a adoção da pena de morte no Brasil. Ele acredita que a pena de morte incutirá na mentalidade das pessoas a idéia de que elas próprias podem matar. "Seria uma justificativa para os linchamentos e facilitaria a violência pessoal". Ele acha que a Rede Globo de Televisão está fazendo a apologia da violência, para justificar uma campanha pela adoção da pena de morte. Na sua opinião, as cenas de violência das novelas e filmes na televisão têm incitado a onda de criminalidade. "Não é essa campanha da Globo que vai fazer com que a pena de morte dê certo", disse. O presidente das Organizações Globo, Roberto Marinho, justificou sua posição favorável à pena de morte, expressa em editorial de "O Globo" no último dia 10, afirmando que a opinião do jornal "refletiu a indignação popular". Sem se referir diretamente a Marinho, dom Luciano disse que a sociedade brasileira é "hipócrita". Na sua opinião, essa hipocrisia se manifesta no instante em que as pessoas "se comovem com a morte de uma criança de cinco anos e nada fazem com as 2,5 milhões de vítimas anuais do aborto. A adoção da pena de morte no Brasil está mobilizando os governadores. A seguir as opiniões de alguns deles: Luiz Antônio Fleury (PMDB-SP)-- "Filosoficamente a favor" da medida para crimes hediondos. Hélio Garcia (sem partido-MG)-- "Ninguém tem o direito de tirar a vida dos outros". Roberto Requião (PMDB-PR)-- "A pena de morte é uma proposta reacionária que não merece ser discutida". Ciro Gomes (PSDB-CE)-- Contrário à medida "mesmo para o pior dos bandidos". Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA)-- "O bom senso indica que a pena capital é um caminho para se coibir a avassaladora onda de crimes". A seção brasileira da Anistia Internacional enviou carta ao presidente Itamar Franco e ao ministro da Justiça, Maurício Corrêa, repudiando o que considera excessiva preocupação com a questão da pena de morte, em detrimento de assuntos mais importantes para a população. Além de se opor à pena de morte, a Anistia Internacional faz campanha por sua abolição em todo o mundo. Segundo seu relatório de 92, referente a 91, a tendência mundial nesse sentido teve sequência. Ao final de 91, mais de 43% dos países haviam suprimido a pena de morte. Um total de 44 nações aboliu a pena para todos os delitos e em 16 se restringiu a crimes excepcionais. Em outros 12 países onde persiste a pena de morte, não se realizam execuções há mais de 10 anos (O ESP) (FSP) (JB).