AMEAÇAS TIRAM EDUCADOR DE MENOR DAS RUAS

A morte do educador de crianças de rua Jorge Antônio do Nascimento, em novembro, e um atentado contra a vida do pedagogo Carlos Bezerra, em dezembro, provocaram a suspensão temporária do trabalho externo de 25 profissionais, no Rio de Janeiro. A medida abrange instituições não- governamentais como o Instituto Brasileiro de Inovação em Saúde Social (IBISS), Se Essa Rua Fosse Minha, Cruzada do Menor e Instituto Brasileiro de Desenvolvimento (IBRADES), segundo Bezerra. A repercussão das ameaças aos educadores chegou a tal ponto que, na França, surgiu a instituição Erê Brasil (erê significa criança, na língua yorubá), fundada por professores e alunos da Universidade Paris-8, para estudar formas de ação e proteção aos educadores de rua do Rio. O fundador da entidade, Solly Levy, está no Brasil visitando instituições de meninos de rua. O mestre em capoeira e ex-menino de rua Jorge Nascimento apareceu morto em Sepetiba (RJ) em circunstâncias misteriosas, depois de ficar desaparecido durante uma semana. Em seguida, telefonemas anônimos para a instituição para a qual ele trabalhava, o IBISS, assumiram a responsabilidade por sua morte, avisaram que era "só o começo" e anunciaram que mais um educador e mais uma criança de rua seriam assassinados. O secretário do Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (CEAP), Ivanir Ribeiro, diz que sua instituição, que costuma fazer denúncias em defesa de meninos de rua e educadores, também recebe cartas com ameaças, com o mesmo texto das que são enviadas ao IBISS. "São assinadas por grupos de extermínio de extrema direita que se entitulam Grupo Nacional de Proteção da Sociedade e Grupo de Ação Conjunta Rio, Niterói e Baixada. Há uma investigação sobre eles correndo na 25a. DP (Engenho Novo). Depois das cartas, os consulados da França e da Suécia resolveram manter os membros do CEAP sob contato e observação permanente, para sua proteção", conta Ivanir (JB).