ITAMAR ESTUDA IMPORTAÇÃO DE MEDICAMENTOS

A ampliação dos laboratórios oficiais para a produção de remédios e a importação de medicamentos são as duas armas que o presidente Itamar Franco usará no embate com a indústria farmacêutica. O presidente descartou a volta do controle de preços. O governo começou a estudar a legislação de outros países para adotar medidas semelhantes. Itamar Franco informou que já manteve contato com a Organização Pan- Americana de Saúde (OPAS), visando a importação de remédios a preços mais baixos. O presidente disse ainda que o governo poderá importar medicamentos de países como a Rússia, China e Cuba, que não são dominados pelos laboratórios multinacionais. O ministro da Saúde, Jamil Haddad, anunciou ontem que pretende ainda este ano triplicar a produção nacional de medicamentos, com o objetivo de combater os aumentos dos remédios. Segundo ele, os medicamentos preparados nos 16 laboratórios da rede pública e três das Forças Armadas são cerca de 50% mais baratos. Para reforçar a produção, o ministro disse que depende da aprovação da reforma fiscal, para que a CEME (Central de Medicamentos) tenha uma verba suplementar de US$550 milhões (Cr$7,7 trilhões). Através de um convênio com a CEME, no valor de US$5 milhões (Cr$70 bilhões), a FIOCRUZ (Fundação Oswaldo Cruz) começará, ainda este mês, a produzir 25 tipos de medicamentos básicos. Até o fim de 93, serão 700 milhões de unidades, quatro vezes mais do que o total de 92. Com isso, a FIOCRUZ se tornará responsável por 15% da fabricação de medicamentos nos laboratórios públicos, permitindo que o governo economize US$5 milhões por ano na compra de remédios de laboratórios particulares (O Globo) (JB).