O presidente Itamar Franco e o ministro da Justiça, Maurício Corrêa, recebem no mês que vem um dossiê de mais de 100 páginas que revela os buracos na chamada segurança nacional. O estudo está sendo desenvolvido por agentes da Polícia Federal (PF) em conjunto com militares do Estado- Maior das Forças Armadas (EMFA). O documento trata, sobretudo, do contrabando de ouro, cassiterita, do tráfico de cocaína e da existência de mais de cinco mil pistas de pouso na região Norte do país-- e, em sua conclusão, deve taxar como "alarmante" o grau de vigilância das fronteiras do Brasil com outros países. Os principais pontos do documento são os seguintes: há mais de cinco mil pistas clandestinas de pouso de aviões na região Norte do Brasil; algumas dessas pistas, implodidas pela PF há um ano e meio, voltaram a funcionar; não há controle sobre a invasão de garimpeiros no território Caprimani, em Roraima, que pertence aos índios yanomani; grupos japoneses estão comprando cassiterita, em Rondônia, e junto do minério tem saído do país, sem o governo perceber, material monazítico de custo superior ao ouro, usado na fabricação de tubos de televisores; o contrabando de ouro ao Uruguai se dá num tal nível que aquele país estaria exportando o minério numa proporção 10 vezes maior que o próprio Brasil. O dossiê trata aina da "perda de controle" do governo sobre o tráfico de cocaína e contrabando de minérios entre a Venezuela e Ponta Porã, entre a cidade de Tabatinga e a Colômbia e a suscetibilidade do Estado de Roraima aos traficantes dos cartéis de Cali e Medelin-- as máfias internacionais do trático de drogas. Diz ainda o dossiê que o governo só consegue taxar 20% do ouro extraído de Serra Pelada. O presidente do Sindicato Nacional dos Servidores da PF, Francisco Carlos Garisto, diz que a situação nas fronteiras é "no mínimo grave" e vai pedir ao governo o aumento de 20 mil homens no efetivo da PF para a área. Garisto também vai propor ao EMFA a criação de uma espécie de força- tarefa para reforçar as fronteiras (FSP).