O "condomínio da governabilidade" proposto pelo presidente Itamar Franco enfrenta hoje seu primeiro teste na Câmara dos Deputados. Os líderes de partidos têm uma reunião onde voltarão a negociar a proposta de ajuste fiscal, depois de um mês em que as conversas estiveram suspensas. Apesar do entusiasmo do governo com o apoio que recebeu dos presidentes dos partidos, ainda são grandes as restrições parlamentares à criação de novos impostos, como quer o Executivo. A posição dos partidos sobre o ajuste fiscal é a seguinte: PMDB-- o presidente Orestes Quércia prometeu apoio ao ajuste fiscal. Mas o representante do partido nas negociações, deputado Germano Rigotto (RS), diz que não há chance de o IPMF (Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira) ser aprovado como está. PFL-- a proposta de ajuste que será negociada hoje foi redigida pelo deputado Benito Gama (BA), que integra a bancada do partido. Mas o ex- ministro e deputado Francisco Dornelles (RJ), seu colega de partido e parlamentar influente, encabeça a oposição ao texto. PDS-- o partido tem simpatia pela proposta de substituição de todos os impostos por apenas quatro tributos. O líder José Luiz Maia (PI) diz que a bancada admite aprovar o IPMF com restrições, mas não aceita, sob qualquer hipótese, a quebra do sigilo bancário. PDT-- a bancada é contra a criação do IPMF. PT-- aceita criar o IPMF, desde que sua arrecadação seja investida em programas sociais, conforme vem defendendo o presidente do partido, Luís Inácio Lula da Silva. O líder Vladimir Palmeira (RJ) concorda com a quebra do sigilo bancário. O presidente da Câmara dos Deputados, Ibsen Pinheiro (PMDB-RS), vai ser o coordenador das negociações da governabilidade no Congresso. Ele foi convidado ontem para a "tarefa" pelo líder do governo na Câmara, Roberto Freire (PPS-PE) e disse que aceitava "desde que todos os líderes concordassem" (O ESP) (FSP).