VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

Dados da CPI instalada no Congresso Nacional em 1992 para investigar crimes contra as mulheres revelam que, nos últimos 17 meses, 160 mulheres foram assassinadas por motivos passionais no Estado do Rio de Janeiro. Depois de oito mesees de pesquisa em estados brasileiros, os integrantes da CPI constataram que muitos desses crimes foram cometidos por razões fúteis e, na maioria, nem foram noticiados. Na cidade de São Paulo, 88 mulheres foram mortas no mesmo período, enquanto em todo o país o número de mortes chegou a mil. A CPI também constatou que a maioria das vítimas e dos agressores ganhava até dois salários-mínimos e tinha entre 18 e 40 anos. Os integrantes da CPI também observaram aumento no número de crimes no Rio, em São Paulo e no Paraná envolvendo vítimas com nível superior de escolaridade. Outro ponto importante e que abrange um percentual significativo também impressionou os deputados: muitas mulheres, embora tenham conseguido sobreviver, ficaram com sequelas irreversíveis: foram queimadas ou baleadas e hoje vivem sobre uma cama. A deputada federal Sandra Starling (PT-MG), que presidiu a CPI e hoje é secretária de Educação de Belo Horizonte (MG), disse que, embora o número de mortes no Estado do Rio seja alto, o maior número é registrado em Alagoas. O número de casos de estupro é mais alto em Pernambuco e Espírito Santo. Em geral, a vítima é doméstica e o agressor, desempregado. O levantamento levou em conta as informações de entidades de defesa da mulher e de 125 delegacias da mulher (O Globo).