O brasileiro paga mais Imposto de Renda (IR) do que o norte-americano. Aqui, as alíquotas são menores, mas as deduções são mínimas. Nos EUA, por exemplo, a dedução por dependente chega a US$2.300, enquanto no Brasil fica em US$240. Tanto nos EUA quanto na Argentina, as alíquotas sobem à medida que a renda do contribuinte aumenta. No Brasil, esse crescimento não é proporcional à renda. Assim, para uma renda anual de US$50 mil no Brasil, a Receita Federal determinou uma alíquota efetiva de 20,50%, enquanto para US$100 mil ela atinge apenas 22,75%. Na tabela norte-americana, comparando as mesmas duas rendas, as alíquotas crescem de 10,44% para 19,09%. Se a tributação do IR já se soma à inflação para corroer os salários no Brasil, a situação se agrava quando se analisa a tributação indireta. São os impostos e taxas municipais que tornam a carga tributária brasileira a mais pesada do mundo, conforme alguns tributaristas. E dão estímulo a propostas como a do Imposto Único, em discussão no Congresso Nacional. Quando acende a luz, usa o telefone, enche o tanque do carro, o consumidor paga o produto ou serviço e os impostos que, muitas vezes, se sobrepõem (FSP).