O advogado Pedro Calmon, de Brasília (DF), protocolou no último dia sete, no Palácio do Planalto, um dossiê endereçado ao presidente Itamar Franco em que acusa o ministro da Justiça, Maurício Corrêa, de ter sonegado Cr$8 bilhões do Imposto de Renda, em valores atualizados, que deveriam ter sido descontados na declaração do ano de 1987. Segundo o advogado, nesse ano, Corrêa teria recebido "vultosa quantia" em pagamento de ação que, em 1984, moveu contra a Esso Brasileira de Petróleo, como advogado do empresário Tude Bayard da Fonseca. O dossiê é formado por cópias dos autos do processo em que o presidente do Tribunal de Justiça do Distrito Federal daquela época, ministro Luiz Vicente Cernicchiaro, condenou o procedimento adotado por Corrêa e seu cliente e por recortes dos jornais que publicaram as acusações de Calmon. De acordo com Calmon, o então advogado Maurício Corrêa teria agido de forma irregular para sacar Cr$4,1 bilhões dos Cr$5 bilhões, em valores da época, depositados em juízo pela Esso, em 1984, no processo de indenização movido por Tude Bayard contra a distribuidora. Corrêa teria recebido e omitido na declaração do IR os Cr$836,8 milhões que recebeu como pagamento na ocasião (O ESP).