MULTINACIONAIS QUEREM MUDAR A CONSTITUICÃO

As mutinacionais com operações no Brasil já estão em campanha junto a congressistas para tentar eliminar, na revisão constitucional de outubro, as discriminações que inibem a atuação do capital estrangeiro no país. Reunidas sob a égide da FIESP, as 100 empresas do EBCE (grupo de Empresas Brasileiras de Capital Estrangeiro) querem modificar os dispositivos que tratam do capital estrangeiro na Constituição de 1988. O grupo quer mudar quatro pontos específicos da Constituição que a seu ver inibem o capital estrangeiro. O primeiro deles é a definição de empresa brasileira como aquela cuja maioria do controle é exercida por pessoas físicas residentes e domiciliadas no Brasil. O segundo ponto que inibe o capital estrangeiro diz que o setor público privilegiará a compra de bens e serviços de empresas nacionais nas concorrências oficiais. O terceiro ponto é o artigo que trata das atividades de mineração. A Constituição diz que só podem exercer atividades de mineração as empresas controladas por capital nacional. E o quarto ponto é o monopólio nos setores de petróleo, derivados de petróleo, energia elétrica e telecomunicações. A EBCE gostaria de ver o fim do monopólio nesses setores. Segundo Luiz Carlos Bachega Ortolan, da Dow Química e coordenador da EBCE, a Constituição "corporativa e xenófoba" de 1988 que "não faz sentido econômico e lógico" levou o Brasil a ser visto como um país que "anda de lado" pelas matrizes das empresas brasileiras de capital estrangeiro (FSP).