O secretário da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro, Maximiliano Menezes, disse ontem em São Gabriel da Cachoeira (AM) que 300 garimpeiros brasileiros e colombianos estão garimpando ouro no rio Traíra, na fronteira do Brasil e Colômbia. Menezes afirmou que a chegada dos garimpeiros ao rio Traíra é prosseguimento do avanço dos garimpeiros na ocupação da região iniciada em setembro com a invasão da área Yanomami e Parque Nacional do Pico da Neblina. Segundo Menezes, os garimpeiros saíram de Santa Isabel do Rio Negro (AM) há cerca de 20 dias e tiveram acesso ao Traíra pelo rio Japurá. "Não dá para saber quantos são brasileiros", disse. O Exército mantinha um destacamento com uma média de 15 homens no Traíra, mas o destacamento foi desativado no ano passado. O garimpeiro Araújo Lima Pereira, diz que os garimpeiros que estão no rio Traíra são poucos, porque a exploração de ouro na área é dominada por colombianos. Ele confirmou que os garimpeiros do rio Traíra saíram da área do rio Cauaburi, em Santa Isabel do Rio Negro. O Consulado da Colômbia em Manaus, o Exército e a Federação das Organizações Indígenas não sabem com precisão qual a área do rio Traíra ocupada pelos garimpeiros. Menezes diz que eles estão em local afastado do antigo posto do Exército e do acampamento da Mineradora Paranapanema, que chegou a fazer pesquisas na área. O cônsul Abelardo Ramirez diz que a garimpagem na região é ilegal. Segundo ele, a região é "muito distante e inóspita". Essas características fazem com que "demore a chegar em centros urbanos o conhecimento da atividade dos garimpeiros", disse. O soldado da Delegacia de São Gabriel da Cachoeira, Fanor Barreto, disse que os garimpeiros da região do rio Cauaburi estão se espalhando para outras regiões depois que a Polícia Federal deu ultimato para que retirem seu equipamento até o fim do mês. O garimpeiro Luiz Afonso Gomes, disse ontem em São Paulo de Olivença (AM) que o garimpo de ouro no Traíra atrai garimpeiros desde 1984 "porque o ouro é abundante, o rio tem águas claras e não precisa de dinamites e explosivos necessários nos garimpos do lado colombiano da fronteira". Ele trabalhou na região até 1990 (FSP).