O déficit habitacional brasileiro está diretamente ligado à concentração da população nas áreas urbanas. Estudo encomendado pela Secretaria Nacional de Habitação no ano passado já apontava um déficit de 10 milhões de moradias, que tende a se agravar nos próximos anos, caso se confirme a previsão de que, até o ano 2000, a concentração urbana chegue a 80%. Hoje, 74% dos brasileiros moram em cidades, 31% deles em nove regiões metropolitanas. A situação mais drástica está na cidade de São Paulo, onde 70% da população moram em habitações irregulares, o que inclui favelas, cortiços, loteamentos clandestinos e casas precárias. São 545 favelas localizadas em várzeas na capital paulista e 485 em áreas de risco. Se a situação não for revertida, São Paulo, que ganha 300 mil novos habitantes por anos se transformará numa imensa favela em poucos anos: estima-se que até o ano 2000 terá 22,5 milhões de habitantes. Ao assumir a Presidência da República em 1990, o ex-presidente Fernando Collor prometeu construir 4 milhões de casas até o fim do seu mandato, o que reduziria o déficit em 30% até 95. Só para manter o déficit nos atuais níveis seria preciso construir por ano 500 mil casas. Mas, ainda em 90, o Plano Plurianual do governo Collor previa verba suficiente para apenas 100 mil casas populares. A idéia, no entanto, era aumentar esse tímido investimento com recursos do FGTS. Em 91, o governo iniciou a construção de 300 mil moradias ao custo de US$3 bilhões. Mas, em 92, a recessão se instalou, a arrecadação do FGTS caiu e o setor recebeu apenas 45% do que foi investido em 91, ou seja, o suficiente para apenas 200 mil casas (JB).