COLLOR SÓ PODERÁ DISPUTAR ELEIÇÃO EM 2002

O ex-presidente Fernando Collor de Mello foi condenado na madrugada de ontem pelo Senado Federal, por 76 votos a três, tornando-se inelegível por oito anos. Pelo calendário eleitoral em vigor, a primeira eleição após esse prazo ocorrerá daqui a 10 anos, em 2002 (para deputado federal e governador). A primeira eleição presidencial será em 2004. A sessão do julgamento durou 15 horas e meia. Foi encerrada às 4h38 de ontem, enquanto os senadores assinavam a sentença condenatória de Collor. Todos os 81 senadores estavam presentes, mas Guilherme Palmeira (PFL-AL) e Lucídio Portella (PDS-PI) não quiseram votar. Votaram a favor de Collor os senadores Ney Maranhão (PRN-PE), Odacir Soares (PFL-RO) e Áureo Mello (PRN-AM). O senador e ex-ministro Affonso Camargo (PTB-PR), membro da chamada "tropa de choque" de Collor, votou contra o ex-presidente, assim como o também senador e ex-ministro Jarbas Passarinho (PDS-PA). O presidente do processo de Impeachment" e do STF, Sydney Sanches, declarou o processo encerrado às 4h36. Antes, por sugestão do senador José Sarney (PMDB-AP), fizeram constar em ata que o processo havia sido extinto no que se referia à perda do cargo, já que Collor renunciara antes, e que prosseguir apenas para a perda dos direitos políticos. A providência foi adotada como precaução, para não dar aos advogados de Collor a chance de tentar anular o julgamento com base em algum detalhe jurídico. O advogado Evaristo de Morais Filho, um dos responsáveis pela defesa do ex-presidente, disse que a cassação dos direitos políticos de Collor "foi um julgamento para a televisão" e que não resistirá a um mandado de segurança no STF. O advogado disse ainda que a defesa de Collor da acusação de crime comum é "extremamente simples" porque, segundo ele, não há crime de corrupção. O ex-presidente disse que vai recorrer ao STF contra a condenação imposta pelo Senado. "O meu julgamento definitivo não é o do Senado, mas o da história e da justiça", disse ele, acusando o Legislativo de "verdugo e algoz do presidente". Em pronunciamento na biblioteca da Casa da Dinda, ele se comparou a Duque de Caxias e Juscelino Jubitschek e, sem citar o nome de Sarney, lembrou que as denúncias de envolvimento de seu antecessor em corrupção foram arquivadas (FSP) (JB) (O Globo).