Em papel timbrado do Sistema BNDES, vem circulando por gabinetes da equipe econômica do governo um plano para a adoção do dólar como indexador do mercado financeiro e negociação do alongamento dos prazos da dívida interna do setor público. Classificado de "exercício acadêmico" por técnicos dos ministérios da Fazenda e Planejamento, o plano foi elaborado pelos economistas Álvaro Zini, da USP, e Fábio Giambiagi, da UFRJ e consultor do BNDES. Eles argumentam que, ao contrário do que pretende o governo, não se conseguirá alongar os prazos de pagamento da dívida pública apenas com a estabilização da economia. E sem o alongamento dos prazos, permanecerá um dos maiores fatores de instabilidade econômica, segundo os economistas: o curtíssimo prazo da dívida, que obriga o governo a manter uma política de altas taxas de juros, para atrair os recursos e evitar que haja um derrame de dinheiro na economia, com graves efeitos inflacionários. De acordo com a proposta dos dois economistas, conhecida sob o nome de Plano Zini, o governo deveria negociar uma data a partir da qual todas as aplicações financeiras em títulos públicos-- inclusive o "fundão"-- seriam resgatadas (convertidas em cruzeiros). Os aplicadores perderiam a opção de aplicar seu dinheiro a curto prazo e teriam como alternativa o investimento em dois tipos de títulos públicos, com prazos de resgate de 10 a 30 anos, ambos reajustados monetariamente de acordo com a variação do dólar, com taxas de juros equivalentes à Libor, do mercado internacional (que atualmente está em cerca de 8%), e um adicional de 2%. Para os pequenos poupadores, como os aplicadores de caderneta de poupança com saldo até US$2 mil (Cr$24 milhões, pelo câmbio comercial), seria concedida a correção de acordo com a taxa de câmbio e mais 6% ao ano. Os investidores poderiam sacar em cruzeiros ou em dólares, mas os autores do plano asseguram, entretanto, que não se trata de propor a dolarização da economia. Eles observam que, ao contrário do que aconteceu na Argentina, por exemplo, o dólar continuará com seu uso vedado como moeda em transações dentro do país. Os dois economistas advertem, porém, que suas propostas são de médio prazo-- dois a três anos--, e para serem adotadas somente depois de aprovado o ajuste fiscal e consolidadas reformas como o saneamento dos bancos estaduais e a concessão de maior autonomia ao Banco Central (O Globo).