O salário, que vinha sendo o principal alvo do governo sempre que enfrentava dificuldades de caixa, registrou este ano, pela primeira vez, um alívio no tamanho do desconto. Conforme dados da Receita Federal, a arrecadação média mensal do Imposto de Renda na fonte cobrado sobre os salários está em torno de US$286 milhões. No ano passado, a arrecadação média mensal ficou em US$495 milhões, o que representa uma redução de 42%. O arrocho sobre os salários durou de 1989 a 1991. O salário foi mais tributado na fonte em 1990, quando a arrecadação média mensal foi de US$561 milhões. A última vez que a arrecadação tributária alcançou o nível que vem sendo resgistrado este ano foi em 1989, quando a média mensal arrecadada sobre salários ficou em US$282 milhões. Os técnicos da Receita Federal apontam dois fatores para explicar a redução do desconto do IR sobre salários. O primeiro foi a política salarial determinada pelo governo Collor, que fez com que os salários perdessem o seu poder de compra, sendo reajustados bem abaixo dos níveis inflacionários. O outro fator decorre das regras do sistema tributário em vigor desde 1o. de janeiro passado. Pela legislação, o limite de isenção passou a corresponder a mil Ufir, o que hoje equivale a Cr$6 milhões. Até o ano passado, eram isentas do desconto as pessoas que recebessem até cinco salários-mínimos, o que hoje corresponderia a Cr$2,5 milhões. Além da elevação do limite de isenção, a Lei 8.383 (que definiu as regras do IR) determinou que a cada mês o limite fosse reajustado com base na inflação do mês (JB).