Eles representam quase um quinto da população mundial, vivem em condições de miséria e, muitas vezes, ficam à margem dos programas de reformas econômicas. São os pobres das áreas rurais, que hoje somam um bilhão de pessoas nos países em desenvolvimento, 40% a mais do que há 20 anos. Os dados fazem parte de um estudo ("O Estado da Pobreza Rural no Mundo") divulgado esta semana pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), da ONU. No que diz respeito ao Brasil, o estudo indica que o país tem o sexto maior índice de pobreza nas áreas rurais: 73%. Em primeiro lugar vem a Bolívia, com 97%, seguida de Malawi (90%), Bangladesh (86%), Zâmbia (80%) e Peru (75%). A população total nos 114 países pesquisados é de quatro bilhões de pessoas, das quais 2,5 bilhões vivem nas zonas rurais. Na divisão por continentes, a Ásia concentra o maior número de pobres em áreas rurais: 633 milhões de pessoas. Outros 204 milhões vivem na África, 27 milhões no Oriente Médio e África do Norte, e 76 milhões na América Latina e no Caribe. Segundo o FIDA, os pobres das áreas rurais formam uma categoria marginalizada, que é esquecida pelas autoridades nos projetos de desenvolvimento econômico. O estudo enfatiza que eles são pobres por não terem acesso aos meios de produção concedidos a outros segmentos da população: terra, crédito, infra-estrutura e serviços sociais. O grupo mais miserável da população rural é formado pelos pequenos agricultores- - com menos de três hectares de Terra-- e pelos sem-terra. também fazem parte dessa categoria os pequenos pescadores, pastores e grupos étnicos, entre outros (O Globo).