Num país onde milhões de famílias não têm renda suficiente para se alimentar regularmente, 11,7 milhões de toneladas de grãos são perdidas, de uma safra total de 70 milhões de toneladas. As perdas equivalem a US$2,247 bilhões, tomando por base os preços do mercado internacional. Os dados constam de um trabalho elaborado pela Associação Brasileira de Assistência Técnica e Agropecuária (ABEPA) e financiado pelo Banco Mundial (BIRD), concluído em 1990 e ainda não divulgado. O Ministério da Agricultura, contudo, estima que as perdas sejam de cinco milhões a seis milhões de toneladas. O estudo sugere a execução imediata de um projeto de redução de perdas de grãos, com prioridade para arroz, feijão, milho, soja e trigo, a um custo total estimado em US$54,603 milhões. Apesar da gravidade do problema, dizem os técnicos, o Brasil nunca contou com uma política consistente e continuada, que pudesse reduzir as perdas e desperdícios de produtos agropecuários, particularmente de grãos. Limita-se a estudos isolados e campanhas interrompidas. Um programa de combate às perdas impediria situações de desabastecimento e remarcações exageradas nos preços dos alimentos, que agravam a inflação. Um dos mais importantes fatores que levam ao desperdício, segundo o estudo, é o sistema de armazéns. O Brasil tem uma das mais baixas taxas de armazenamento em fazenda do mundo, em torno de 4%. Nos países com agricultura desenvolvida, a taxa varia de 30% a 40%. A má qualidade dos serviços acaba reduzindo a demanda por parte dos usuários. Assim, a iniciativa privada não se dispõe a investir num mercado fraco, obrigando o Estado a cobrir o déficit crônico de armazenagem (O Globo).