CRESCE DEFASAGEM DE TARIFAS PÚBLICAS

O governo Itamar Franco segurou os reajustes dos preços públicos para reduzir a inflação. Estudo obtido por este jornal indical que até o início de outubro, quando Itamar assumiu, a maior parte das tarifas das empresas estatais estava 15% em média acima da inflação. Hoje, o quadro é outro e a maior parte das estatais vai fechar o ano com seus preços corrigidos abaixo da inflação. O Brasil tinha assumido junto ao FMI (Fundo Monetário Internacional) o compromisso de corrigir os preços públicos acima da inflação. A meta tinha como objetivo captalizar as estatais para que pudessem pagar seus empréstimos externos e realizar novos investimentos. O controle dos reajustes das tarifas públicas passou a ser feito, a partir de outubro, pelo próprio presidente Itamar Franco. Ele aumentou os prazos dos reajustes e diminuiu os percentuais, o que contribuiu para reduzir a inflação de novembro. Isso também poderá ter impacto positivo nos índices de preços de dezembro. A conseguência direta da política tarifária dos três primeiros meses do governo Itamar foi o achatamento de 10 dos 15 principais preços públicos controlados, que vinham tendo reajustes iguais ou superiores à inflação. Apenas dois (óleo diesel e ligações telefônicas internacionais) devem fechar o ano com ganhos positivos de relevância-- de 32,15% e 10,15%, respectivamente. A energia elétrica ficou sem reajuste em novembro e o ganho que tinha acumulado até outubro se transformou em uma perda de 17,9% em dezembro (FSP).