A nova política salarial dividiu empresários e sindicalistas. Na opinião de alguns, ela poderá estimular um reaquecimento da economia, melhorando os níveis de produção e emprego. Outros consideram que medidas como o aumento do salário-mínimo para Cr$1.250.700,00 e as novas regras para as antecipações salariais bimestrais vão aumentar demais o peso das folhas de pagamento e complicar a situação de empresas já afetadas pela crise. Para o empresário Carlos Eduardo Uchoa Fagundes, diretor do departamento de micro e pequenas empresas da FIESP, a nova lei poderá estimular a economia ao melhorar os níveis de consumo. Ele não acredita em um impacto insuportável para as micro e pequenas empresas. Quem não gostou da nova política salarial foi o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás (Sindigás): "O setor já estava ruim e vai ficar pior, com o impacto nas folhas de pagamento", reclama Maurice Cunio, secretário-geral do Sindigás. Já o diretor de base do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo (SP), ligado à CUT, Gonçalo Valdevino Pereira, acha que a nova política salarial significa um avanço em relação à anterior. Mas adverte que a eficácia da nova política só valerá para as categorias desorganizadas e sindicatos fracos, ficando muito aquém do que os metalúrgicos conseguiram nas câmaras setoriais. Para a CGT, a reposição bimestral de 60% das perdas inflacionárias é muito pouco para uma economia que trabalha com a inflação na casa dos dois dígitos mensais. "Se os empresários reajustam em 100% a comida, o ônibus, os aluguéis, os remédios, as roupas, por que o salário do trabalhador só tem reajuste de 60?", questiona Francisco Canindé Pegado, presidente da Confederação sindical (O Globo).