FALTA DE ZONEAMENTO PREJUDICA AMAZÔNIA

Há pelo menos 20 anos, o Brasil repete o mesmo erro na Amazônia: ocupação desordenada. Dezenas de zoneamentos foram propostos, mas nenhum saiu do papel. Sem um estudo prévio das melhores terras para atividades produtivas, sem uma definição clara da política de mineração, sem uma infra-estrutura segura de comunicação e transportes e sem a identificação das áreas a serem protegidas, enormes contingentes de agricultores sem- terra e empresários foram atraídos para a Amazônia. Eles saíram do Nordeste e do Sul para uma fronteira agrícola que não foi preparada para recebê-los. O resultado foi desastroso, em pequena, média e grande escala. Colonos de baixa renda foram assentados em projetos agrários sem condições de adquirir autonomia econômica e hoje vivem na miséria. Agricultores com pequeno capital investiram tudo o que tinham e perderam, engrossando novas correntes migratórias para as cidades, o garimpo, as zonas madeireiras ou de volta aos estados de origem. Se houvesse um mínimo de boa vontade política, 90% dos problemas e
71472 conflitos entre os grupos que ocupam a Amazônia, seriam eliminados com um
71472 zoneamento adequado, opina Roberto Paranhos do Rio Branco, presidente da Associação dos Empresários da Amazônia. "Só um zoneamento técnico poderia reverter esse quadro", afirma João Carlos Meirelles, que há 20 anos mantém projetos de colonização em Mato Grosso. O zoneamento é a base da política de desenvolvimento da região. É possível fazer um zoneamento adequado em menos de seis meses e com US$3 milhões, se o Brasil usar tecnologia já disponível, como satélites e sistemas geográficos de informação. Ainda falta a estabilidade institucional e a decisão política (O ESP).