O presidente José Sarney disse ontem ao presidente da CONTAG (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura), José Francisco da Silva, e aos dirigentes de 23 federações do setor que o Plano Nacional de Reforma Agrária poderá ser aperfeiçoado na medida em que for aplicado. Sarney recebeu em audiência os dirigentes de trabalhadores rurais e o ministro da Reforma e Desenvolvimento Agrário, Nelson Ribeiro, para examinar o PNRA e os conflitos de terra denunciados pela CONTAG. Sarneu disse ainda "que não recuará da reforma agrária". Os dirigentes da CONTAG entregaram ao presidente dois documentos assinados pelas 23 federações de trabalhadores rurais, fixando quatro pontos do PNRA do governo que consideram insatisfatórios e enumerando uma série de violências cometidas contra trabalhadores e lideranças sindicais do meio rural, principalmente nos Estados do Pará e Maranhão. O relatório da CONTAG denuncia que houve, neste ano, 22 assassinatos de trabalhadores rurais e dirigentes sindicais. A estatística registrada pela CONTAG é uma média de sete assassinatos por mês, além de casos de "torturas, ameaças, pressões, queima de casas e lavouras de trabalhadores". A CONTAG reivindicou a Sarney medidas que garantam a isenção das polícias civis e militares em casos de conflitos rurais, o desarmamento das "polícias privadas ou bando de jagunços de agem a mando do latifúndio", maior eficácia na apuração e punição dos crimes contra trabalhadores e dirigentes sindicais e Imediata desapropriação das áreas de conflito e agilização dos processos desapropriatórios" (O Globo) (FSP) (O ESP) (GM).