O ex-cabo David Antônio do Couto (perdeu a patente por seu envolvimento no assassinato do jornalista Mário Eugênio, em Brasília) confirmou, em depoimento ao delegado Ivan Vasques, que a "Operação Dragão"-- sequestro, interrogatório e morte de Alexandre Von Baumgarten-- foi planejada e executada pelo general Newton Cruz, com o conhecimento do general Octávio Medeiros, atual comandante militar da Amazônia. Revelou ainda a existência de um plano, na época da campanha de Tancredo Neves para presidente, para "um movimento revolucionário, através do qual o general Newton Cruz chegaria à Presidência da República". Couto disse ter sabido da "Operação Dragão" pelo capitão Barcellos, chefe da 2a. Seção da Polícia do Exército, que habitualmente se referia ao assunto para exemplificar a impunidade dos que trabalhavam para a comunidade de informações, dizendo que "o Brasil era dos militares". O ex-cabo fez questão de frisar que o general Newton Cruz pode ter tido razão quando o chamou, recentemente, de maluco e assassino, porque "malucos ficaram todos os subordinados quando ele assumiu o Comando Militar do Planalto, pelas ordens que recebiam, e assassinos também por ordens dele". De acordo com as informações, ao iniciar seu depoimento, no Departamento Geral de Polícia Civil, o ex-cabo Couto ratificou o que havia dito à procuradora da Justiça Militar Nadir Bispo Faria no dia 18. Esclareceu que o codinome Dr. Marcos, usado por quem chefiava a Subseção de Operações e Planejamento (SOP), no caso era o major José Roberto de Andrade Bianchini; ou, na sua ausência, o capitão Paulo Roberto (JB).