São José do Rio Preto, distrito rural a 75 km da cidade de Petrópolis, com 25 mil habitantes, 150 km quadrados de área, 80% da população morando no campo e economia baseada na avicultura e no cultivo de café e hortigranjeiros, está próximo de se tornar o 66o. Município do Estado do Rio de Janeiro. A Assembléia Legislativa aprovou no último dia 27, por unanimidade dos 47 deputados presentes, o projeto de resolução que determina ao TRE (Tribunal Regional Eleitoral) a realização de um plebiscito para que a população decida se quer emancipar-se de Petrópolis. O plebiscito tem de ser realizado dentro de seis meses; estima-se que pelo menos 90% dos moradores votarão pela emancipação. O presidente da Comissão Pro-Emancipação, Manoel Martins Esteves, afirma que a emancipação é o único meio de manter São José do Rio Preto, que já foi a maior região avícola da América Latina na década de 50, em crescimento. Segundo ele, o distrito assiste há muitos anos ao êxodo de 90% da juventude, carente de escolas de nível secundário e superior e de empregos especializados. De acordo com a Comissão, o distrito está abandonado pelo governo do estado, e somente com a emancipação terá condições de reivindicar do estado a pavimentação da Estrada Rio Preto, que liga a região à BR-116 (Rio-Bahia), para facilitar o escoamento da produção avícola. A verba foi liberada no governo Chagas Freitas, mas até hoje a obra não começou. O ex-prefeito de Petrópolis (durante mais de um ano em 1980), Bianor Martins Esteves, um dos defensores da emancipação, disse que "teremos prejuízo se o prefeito e os vereadores receberem salários idênticos aos dos de Petrópolis. Em São José, as despesas teriam de ser proporcionais ao tamanho do Município. O atual prefeito de Petrópolis, Paulo Rattes (PMDB), é contrário à emancipação. Ele acha que o distrito não tem condições de se sustentar financeiramente porque a arrecadação de impostos é muito baixa, em função da falta de indústrias. São José tem 27 escolas municipais, todas funcionando em caráter precário, e duas estaduais. Apenas uma escola particular, mantida pela CNEC (Campanha Nacional de Escolas da Comunidade), tem ensino de 2o. grau profissionalizante. Não há faculdade. De acordo com dados da FIBGE (Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a arrecadação de ICM (Imposto sobre Circulação de Mercadoria) em São José do Rio Preto, em 1984, foi de Cz$390 milhões. Caso se transforme em município, São José do Rio Preto terá de mudar de nome, que é igual ao de um município paulista (JB).