A PNAD (Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílio) realizada pela FIBGE (Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) indica que cerca de 3,4 milhões de trabalhadores do chamado mercado organizado da economia ganham até um salário mínimo. Assim, dos 20 milhões de empregados com carteira assinada em todo o país, 17,7% recebem até um mínimo. Esse percentual aumenta se forem computados aqueles trabalhadores que recebem menos de dois mínimos mensalmente (46,9%). Os dados levantados através do RAIS (Relatório Anual de Informação Social do Ministério do Trabalho, baseado em informações prestadas pelas empresas) formam outro quadro. Cerca de 1,6 milhões (8,4%) desses mesmos 20 milhões de trabalhadores ganhavam em 1985 até um salário mínimo. Segundo informações do DIEESE (Departamento Intersindical de Estudo e Estatísticas Sócio-Econômicas), 32,28% da PEA (População Economicamente Ativa, estimada pela FIBGE em 54 milhões de trabalhadores), ganham até um salário mínimo. De acordo com o DIEESE, o salário mínimo pago no país é responsável por 7,2% da renda proveniente do fator trabalho dentro do PIB (Produto Interno Bruto), estimado em 1986 em US$250 bilhões. Ou seja, US$8,36 bilhões do PIB são provenientes do trabalho remunerado pelo salário mínimo. Ainda de acordo com o DIEESE, o atual mínimo (Cz$964,80) é o menor em termos reais dos últimos 35 anos. Somente em julho de 1951, o mínimo teve, em termos reais, um valor menor que o atual (Cz$794,74). Em julho de 1940, quando foi criado, o salário mínimo valia, em valores de hoje, Cz$2.245,09; em janeiro de 1959 atingia seu valor mais alto (Cz$3.234,74 em valores de hoje. A pesquisa da FIBGE constatou em 1985 a existência nos estados nordestinos (Maranhão, Piauí, Pernambuco, Ceará, Alagoas, Paraíba, Sergipe, Rio Grande do Norte e Bahia) de 6,79 milhões de trabalhadores no campo. Deles, 1,63 milhões ganhavam até meio salário mínimo. Os que recebiam de meio a um mínimo eram 1,83 milhões; 11,01 milhões ganhavam de um a dois mínimos (FSP).