Segundo o jornal Folha de São Paulo, ontem, nas conversações entre os presidentes José Sarney e François Miterrand, surgiram as primeiras divergências entre as posições dos dois governos: o Brasil é contra a inclusão do item "serviços" no âmbito do Gatt (Acordo Geral de Tarifas e Comércio) e a França mantém-se a favor desta medida que, se adotada, de acordo com entendimento do presidente Sarney, trará danos a todas as economias em desenvolvimento, principalmente àquelas que atravessam um estágio intermediário de industrialização, como o Brasil, a Índia e a Argentina. A posição pela inclusão do item "serviços" no Gatt foi vencedora na última reunião desse órgão, por imposição dos países desenvolvidos, liderados pelos Estados Unidos, principal defensor da medida. Caso incluído no Gatt, o setor de serviços como informática (software), bancos, seguros, construção civil, assistência técnica, transportes e outros ficariam sujeitos às regras ali estabelecidas. Estas regras recomendam liberdade ampla de atuação entre os países, condenando a adoção de quaisquer obstáculos ao livre comércio no setor incluído, como a adoção de medidas protecionistas às empresas locais, a concessão de subsídios ou a adoção de barreiras alfandegárias às importações (FSP).