O superávit da balança comercial este ano, inicialmente estimado em US$11,5 bilhões (US$24,5 bilhões de exportações e US$13,0 bilhões de importações), no documento que o Banco Central (BC) enviou aos credores no final do ano passado, foi posteriormente reestimado para US$10,4 bilhões, depois US$10,2 bilhões, e mais recentemente para US$8,0 bilhões, o valor que acabou sendo considerado pelo Clube de Paris para efeito de definição do refinanciamento da dívida externa do Brasil com os governos credores. Segundo as informações, embora oficialmente o governo não considere essa cifra-- o BC e o Ministério da Fazenda continuam insistindo em US$10,2 bilhões--, na hipótese de o saldo comercial ficar mesmo em torno de US$8,0 bilhões, somente para atender às transferências de recursos para o exterior, no próximo ano, no montante de US$12,5 bilhões, serão necessários recursos adicionais de US$4,5 bilhões. Desses US$12,5 bilhões de transferências, pelo menos US$8,0 bilhões correspondem aos juros da dívida externa, calculados com base na "Libor" (taxa de juros de Londres) média (seis meses) de 6,5% para o período de julho de 1986 a junho de 1987. Há, ainda, transferências à conta de marcas e patentes e o repatriamento de capital, estimado em US$1,0 bilhão para o próximo ano, além de outros itens da conta de serviços. Pelos cálculos do BC, as necessidades de "fresh money" ficariam entre US$2,0 bilhões e US$3,0 bilhões, mesmo considerando transferências substanciais de recursos das instituições de crédito, como o Banco Mundial (BIRD) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID)-- cerca de US$3,0 bilhões para os dois--, mais créditos fornecidos por bancos oficiais, especialmente dos EUA, Japão, Inglaterra e França, através de suppliers credits (créditos em forma de equipamentos) para o financiamento de projetos específicos. Mesmo a obtenção de um superávit de US$8,0 bilhões este ano, uma perda considerável, tendo em vista os US$13,4 bilhões obtidos em 1985, ainda está na dependência do êxito de uma política cambial que efetivamente remunere os exportadores, e da ocorrência de outros fatos, alguns fora do controle do governo, como o comportamento dos preços das "commodities" exportadas pelo Brasil e o nível do protecionismo a ser praticado pelos países desenvolvidos (O ESP).