O advogado Paulo Tibiriça Alves da Cunha afirmou ontem que as terras devolutas do país estão sendo "griladas" por grupos ligados a funcionários do INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), envolvendo juízes, advogados, políticos, policiais e militares. Ele disse que vive sob constantes ameaças de morte, e descobriu a ocupação ilegal de terras a partir da legalização fraudulenta da parte de uma área de 220 mil ha pertencentes à Montedam, subsidiária do Montepio da Família Militar, situada no Município de Cáceres (MT). "Por pressão de militares, o então governador de Mato Grosso, Pedro Pedrossian, determinou a abertura, por apenas um dia, do Instituto de Terras de Mato Grosso, que era o responsável por titulações de terras, mas que já estava oficialmente extinto devido à criação do IBRA (Instituto Brasileiro de Reforma Agrária). Foi assim que surgiu a titulação das terras da Montedam", informou o advogado, que disse ainda: desde 1965, pelo menos, as titulações, em sua grande maioria, são
7097 ilegais. Essa é a origem dos latifúndios do país, paridos pelo INCRA. Suas denúncias obrigaram o INCRA a abrir 12 inquéritos. Ele diz que a área da Montedam está sendo invadida desde dezembro último por grileiros que nomeia: Luís Fernando Pinto Barcellos, funcionário do INCRA; Argeu Fogliatto e Waldir Mazzutti, "dois dos maiores grileiros do Mato Grosso"; Júlio Ketzer, técnico do INCRA e diretor da Agropastoril Tiaraju e Agropastoril Guajuviras, subsidiárias da Montedam ("é homem de confiança dos dois principais ex-diretores do Montepio", coronel Hélio Prates da Silveira e José Antônio Carchedi) e mais o interventor na SUSEP (Superintendência de Seguros Privados), Ivan Rosa da Silva (JB).