A professora Geralda Mota-- há 13 anos lecionando na Escola Classe no., de Planaltina, cidade satélite de Brasília-- aplicava, no último dia 2, uma prova a 29 crianças entre 9 e 14 anos, quando a sala de aula foi invadida por um homem que se dizia médico, acompanhado por enfermeiros da Fundação Hospitalar. Segundo as informações, eles arrastaram-na para a secretária do colégio, aplicaram-lhe uma injeção e colocaram-na em uma ambulância, levando-a para o Pronto Socorro Psiquiátrico de Taguatinga, onde foi internada como "doente mental" sem ser submetida a qualquer tipo de exame. Depois de uma noite no hospício, a professora foi retirada pela família e procurou espontaneamente o psiquiatra Jorge Cavendish, em Brasília, para que este lhe atestasse a sanidade mental. Em seguida, Geralda contou que toda a ação foi articulada pela diretora da escola, Orlandina de Cácio Miranda, e pelo chefe do Complexo Educacional A de Planaltina, Mário César de Castro, pelo fato de ela ter continuado a dar aulas apesar de suspensa por uma semana sob a alegação de "desobedie~ncia à autoridade da diretora" (JB).