A CAMPANHA NACIONAL PELA REFORMA AGRÁRIA

O coordenador da Campanha Nacional pela Reforma Agrária, Herbert de Souza, condenou, ontem, em entrevista, a interferência do Gabinete Militar na reforma agrária. Segundo ele, "o problema é essencialmente social e econômico. Sua solução é política. Os setores militares tiveram durante 21 anos todo o poder para resolver a questão, mas se mostraram absolutamente incompetentes. Exatamente nesse período, migraram para as cidades mais de 20 milhões de pessoas". No último dia 18 de agosto, o presidente José Sarney aprovou uma exposição de motivos (de no. 021/85), da secretaria do CSN, a respeito de migrações internas. O documento fala sobre a necessidade de se evitar o êxodo do campo e inverter a corrente migratória, como um imperativo da segurança interna. A exposição de motivos gerou a criação de um grupo de trabalho interministerial para estudar o assunto e definir soluções. Sobre esse assunto, Herbert de Souza informou que, antes da criação desse grupo interministerial, surgiu um outro documento com exposição de motivos sem data e assinatura, embora fosse originária do gabinete militar. "Seu conteúdo era muito parecido com um documento da Confederação Nacional da Agricultura, que contestava o plano de reforma agrária proposto pelo ministro Nelson Ribeiro. Tanto o documento apócrifo do gabinete militar como o da CNA minimizavam a importância da distribuição de terras e privilegiavam uma política agrícola com incentivos financeiros e outras medidas. Herbert de Souza soube que o documento inicial do Gabinete Militar chegou a ser discutido pelo general Bayama Denys com os ministros Nelson Ribeiro (MIRAD) e Pedro Simon (Agricultura), recebendo muitas críticas (JB).