SARNEY PEDE SOLUÇÃO PARA O PROBLEMA DA DÍVIDA EXTERNA

O presidente José Sarney conclamou ontem os países industrializados a uma ação efetiva e imediata para a solução do problema da dívida externa, em seu discurso de abertura da 40a. Assembléia-Geral das Nações Unidas. Se não houver solução para esse problema, advertiu Sarney, o continente entrará numa crise social de alto risco político, transformando-se num verdadeiro barril de pólvora. Quanto ao Brasil em particular, Sarney disse que chegou "ao limite do suportável, o que torna essencial uma fórmula negociada com os credores que não comprometa o crescimento econômico interno e a estabilidade política do país". Sarney repetiu a imagem conhecida no Brasil de que o país não pagará a dívida externa com a fome e a recessão. Outros pontos destacados do discurso do presidente foram: fez um libelo contra o racismo e o "apartheid" sul-africano, lembrando a democracia racial brasileira e as recentes restrições diplomáticas e econômicas à África do Sul; defendeu uma solução pacífica e definitiva para os conflitos da América Central, através do Grupo de Contadora, com o apoio de um grupo conjunto com a Argentina, Uruguai e Peru, além do Brasil; exortou o Irã e Iraque a uma solução independente; defendeu a criação do Estado Nacional Palestino; declarou-se pela retirada de tropas estrangeiras da área conflagrada do Afeganistão; falou da necessidade de contenção do conflito Leste-Oeste, pedindo o fim da atual guerra em potencial dissimulada. E, mais amplamente, pediu uma nova ordem econômica, a preservação do fórum da ONU e o controle dos armamentos. Ao encerrar o discurso, Sarney lançou um apelo ao mundo contra a fome (JB) (O Globo).