Vinte anos depois de cometido e um mês antes da prescrição, o "crime das mãos amarradas", como ficou conhecido, porque assim é que foi retirado das águas do rio Gravataí, em Porto Alegre (RS), o corpo do sargento Manuel Raimundo Soares, tem hoje o nome dos assassinos revelado: são os policiais João Ribeiro e Jorge Pinto Laefer, que em 1965 serviam no DOPS gaúcho e mataram Soares a mando do coronel Luís Carlos Mena Barreto. A revelação é do advogado Aldrovando Micelli, e está num livro que ele está concluindo sobre o assunto. Os assassinos são hoje comissários da polícia civil e nunca foram processados, mas se o processo for reaberto antes de 28 de fevereiro, a prescrição da pena ficará suspensa até sua conclusão. O sargento Soares foi preso pelo então 3o. Exército e passou vários meses no DOPS, depois num quartel militar, mas principalmente na ilha-presídio, onde, por um erro do próprio Exército-- como admitiu o coronel Mena Barreto a Micelli--, Soares foi esquecido na prisão sem que houvesse processo ou IPM contra ele. Soares foi preso por suspeita de participação em grupos subversivos-- na verdade, fazia parte do grupo que iria para a guerrilha de Caparaó, só não indo por ter sido preso. Mas, segundo as informações, nem a polícia nem o Exército conseguiram fazê-lo falar sobre qualquer assunto, apesar das torturas (JB).