O CASO ABI-ACKEL

O filho do ex-ministro da Justiça, Ibraim Abi-Ackel, Paulo Abi-Ackel, vendia vistos permanentes para estrangeiros que residiam ilegalmente no país, à época em que seu pai era ministro. De acordo com o Jornal do Brasil, um assessor da Presidência da República informou que esses dados vem sendo coletados pela Polícia Federal para um dossiê sobre a gestão de Abi-Ackel. A concessão de vistos permanentes no Brasil é feita através do Itamaraty, quando o estrangeiro já chega ao país com a disposição de estabelecer residência fixa; ou via Ministério do Trabalho, quando se trata de profissional empregado em áreas de interesse brasileiro ou diretamente através do Ministério da Justiça, quando há cônjuge ou filhos brasileiros. Em todos esses casos, contudo, o processo passa, em última instância, pelo Ministério da Justiça, "onde quaisquer arestas eram apagadas por tráfico de influência do filho do ministro". Segundo as informações, Paulo Abi-Ackel, com 16 anos, já era conhecido na capital federal quando seu pai trocou a Câmara Federal pelo Ministério da Justiça. Ele, nessa época, começou a usar um gabinete com três salas no 3o. andar do ministério, onde também funcionava a secretaria-geral. A seu serviço, duas secretárias, contínuo, motoristas, carro oficial ("um opala preto com suspensão rebaixada") e até segurança própria, que o acompanhava nas muitas festas e restaurantes. Porém, o rapaz não tinha vínculo oficial com o Ministério da Justiça. Em agosto de 1980, o Conselho Superior de Censura discutia o filme "O Império dos Sentidos". Ao mesmo tempo, o senador Eurico Rezende abriu fogo contra "a imoralidade e a defesa da família". No dia 15, o senador fez um virulento discurso contra a "pornografia". Mal acabara, foi informado de que o filho do ministro da Justiça estava promovendo uma sessão privê para seus colegas do 2o. grau do Colégio Marista no auditório do Ministério. O seu pai, definiu publicamente esse episódio como "peraltice de adolescente". Um segundo caso tornado público ocorreu em 1983: o garçon Jair Penna, então com 51 anos de idade e 27 de serviço público, denunciou que fora agredido por Paulo Abi-Ackel no Ministério da Justiça, por ter demorado 35 minutos a servir café e água para o rapaz e um grupo de amigos. O garçon disse que tentara se desculpar, alegando que atendera à hierarquia e servira antes o secretário-geral Arthur Castilho, que substituía o ministro e recepcionava secretários estaduais de Segurança Pública. Então, o filho do ministro, gritou: "quem manda aqui é meu pai e depois eu. Quando eu mandar, você tem que obedecer", agarrando o garçon pelo paletó e jogando- o no corredor, acrescentou: "te jogo no fundo do lago, te ponho no olho da rua" (JB).