O inquérito aberto na Escola Superior de Guerra (ESG) para investigar o desaparecimento de mercadorias apreendidas como contrabando e repassadas pela Secretaria da Receita Federal "não conseguiu apurar como, quando e onde sumiu sequer um desses objetos", informou o procurador militar Luís Sérgio Chame, que atua no processo em curso na 1a. Auditoria de Marinha no Rio de Janeiro. Entre abril e dezembro de 1984, entraram no almoxerifado da ESG 522 garrafas de bebidas importadas, aparelhos de vídeocassete e vídeo-tape, toca-discos, secretárias eletrônicas, rádios para carro e fitas de videocassete, entre as quais uma série de 22 filmes eróticos. Algumas dessas mercadorias, provenientes de contrabando apreendido, foram solicitadas pelo comandante, general Euclydes Figueiredo, irmão do ex- presidente da República João Figueiredo. De acordo com as informações, a única conclusão do inquérito da ESG é que a responsabilidade cabe aos capitães-tenentes Ronaldo Malícia Moura e Joselito Francisco Santana, responsáveis pelo almoxerifado. Os dois oficiais da Marinha, interrogados pelo juiz Francisco Rodrigues, negaram ter cometido qualquer omissão que facilitasse o sumiço dos objetos. Eles não estão sendo acusados de furto do material, mas de negligência "na observância de normas regulamentares e administrativas, durante a sua permanência no almoxerifado" (JB).