Segundo o Jornal do Brasil, as vendas de açúcar brasileiro no exterior, realizadas pelo IAA (Instituto do Açúcar e do Álcool), no final do ano passado, comprometeram todos os negócioa para os anos de 1985 e 1986. Estima-se, conforme o jornal, que o prejuízo causado à receita cambial do país, só este ano, atingirá entre US$200 e US$300 milhões. De acordo com as informações, os contratos assinados para venda de quase 4 milhões de toneladas de açúcar (a serem embarcadas em 85 e 86) não são irregulares, mas contêm cláusulas de favorecimento a algumas empresas. A atual administração do IAA não conseguiu cancelá-los. "Eles foram feitos, em grande parte, por empresas ou pessoas físicas que jamais operaram com açúcar no mercado internacional. Algumas delas foram cadastradas no IAA apenas para realizar determinada operação de venda, numa época em que os técnicos recomendavam a redução das exportações porque os preços já estavam excessivamente baixos". O jornal afirma ainda que, no Rio de Janeiro, um grupo de pessoas influentes no Ministério da Indústria e Comércio, na gestão de Murilo Badaró, decidiam as quantidades a serem vendidas e quem compraria. "Algumas dessas pessoas nem mesmo eram funcionárias do governo" (JB).