MULHER DENUNCIA TORTURAS NA POLÍCIA GAÚCHA

Maria Edi de Matos, de 25 anos, em depoimento prestado ao Movimento de Justiça e Direitos Humanos do Rio Grande do Sul, fez várias denúncias contra a polícia gaúcha, e acusou vários policiais de, durante os últimos seis anos, a terem obrigado a roubar residências e a fazer comprar com cheques furtados. Revelou também que viu duas pessoas serem mortas por tortura na Divisão de Investigações e disse saber de um outro assassinato, nas mesmas circustâncias. Ela afirmou que "Doge", o jovem que em 1985 denunciou ter sido torturado, foi assassinado a mando da polícia. Afirmou que ela própria, nas vezes em que esteve presa, foi espancada ou torturada pelo delegado Fernando Pontes, da 10a. Delegacia de Polícia. Segundo ela, o delegado queria obrigá-la a assinar um depoimento onde confessava um roubo de um talão de cheques, que, na verdade, teria sido furtado por um policial. Ela identificou, através de fotos de jornais antigos, as duas pessoas que teriam sido torturadas até a morte por policiais: o pintor Luís Soares Fialho e o pedreiro Altair Mira, ambos dados como desaparecidos desde 1984. A terceira pessoa assassinada por torturas seria Ercy de Oliveira, preso em 17 de janeiro de 1986 na Delegacia de Tóxicos (O Globo).