Segundo levantamento feito pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) e tabulado pelo IBASE (Instituto Brasileiro de Análises Sociais Econômicas) do Rio de Janeiro, morreram de fome, entre 1979 e 1983, em 114 cidades de 8 Estados do nordeste, 4404 pessoas. "A pesquisa, que levantou nome, idade, sexo e município de cada morto, foi feita junto às famílias e será encaminhada ao governo federal". O Município com o maior número de mortes pela fome é Bom Jesus da Lapa, no sertão da Bahia, e "a maior parte das mortes ocorreu nas 23 agrovilas que o INCRA construiu do outro lado do rio São Francisco, para abrigar as famílias deslocadas pela inundação da Barragem de Sobradinho". "A idéia de listar nominalmente os mortos pela fome na seca entre 1979 e 1983 surgiu no ano passado, em Fortaleza (CE), durante seminário da Regional Nordeste da CNBB. Os bispos despertaram para o anonimato das vítimas da seca e viram que era preciso fazer um memorial do grande genocídio", informou o secretário-executivo do IBASE, Herbert de Souza. Segundo ele, "no auge da seca, o governo pagou 1/3 do salário-mínimo a cada um dos 2 milhões 700 mil cabeças de família nas frentes de emergência, significando que havia 13 milhões 500 mil pessoas em situação de miséria absoluta". O levantamento, feito por agentes pastorais das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), de casa em casa, vai continuar até setembro. O presidente do Instituto Nacional de Alimentação e Nutrição (INAM), José Henrique Avena, coordenador de um projeto de suplementação alimentar, desconhece o relatório da CNBB, mas afirma que o Ministério da Saúde pretende "reduzir a mortalidade infantil em todo o país-- sem dirigir sua ação especificamente para o nordeste"-- em 40% nos próximos quatro anos. Ele aponta como possível causa da mortalidade no nordeste "o funcionamento distorcido e limitado do programa anterior de suplementação alimentar. As cestas eram fornecidas através de critérios eleitorais, e o programa no nordeste era conhecido como Programa do PDS". José Henrique Avena afirmou ainda que o programa atual pretende fornecer, até o final do ano, uma cesta alimentar a cada uma das 10 milhões de gestantes, crianças e nutrizes, mas até agora só foram liberados Cr$180 bilhões dos Cr$1,550 trilhão autorizados em maio pelo presidente José Sarney (JB) (revista Veja).