O senador Saldanha Derzi (PMDB-MS) negou, ontem, que tivesse pregado a luta armada dos fazendeiros contra "as invasões", mas admitiu que se pronunciou contra a decisão do ministro da Justiça, Fernando Lyra, de manter os proprietários de terras desarmados. Disse que, em sua entrevista, transmitida através da "Voz do Brasil", no último dia 8, criticou a Pastoral da Terra por pregar a reforma agrária "na lei ou na marra, com a invasão de propriedades". Segundo o Jornal do Brasil, o ministro da Justiça não quis levar a sério as declarações feitas pelo senador, e apenas comentou: "eu conheço o senador, e não creio que ele fizesse algum incitamento ao armamento e à violência. Acho que o que ele disse foi mais força de expressão do que um ato de revolta". O secretário nacional da Comissão Pastoral da Terra, da CNBB, padre Mário Aldighieri, repudiou as declarações do senador Saldanha Derzi, lembrando que "só em Marabá, no Pará, e em Sarampo, na Bahia, foram assassinados mais de 20 lavradores" (JB).